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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Novos Passos (Sem...)


Em certos momentos me relembro dela. Em outros, a esqueço. É como apagar da mente tudo que vivemos. Criar uma ilusão de que nunca existimos.

Quando algo morre, um novo ciclo se inicia em nossas vidas. Uma nova parte de nós morre para a outra renascer. Uma nuvem branca passa e cega. Os olhos vêem somente o que querem ver: a nova vida.

Não enxergam o que querem esconder: a falta Dela.

E, a passos rápidos, caminhamos em linha reta, evitando olhar para além do horizonte, por puro medo. "Melhor olhar pra baixo, para não tropeçar!". E quando percebermos, estaremos caminhando como novos homens. Homens decididos, em busca de um ideal, de uma moral.

Sorriremos para aqueles que passarem por nós. Acenaremos para os que caminham do outro lado da rua. Subiremos escadas e desceremos degraus. Empurraremos portas que devem ser empurradas. E puxaremos as que devem ser puxadas. Até que...

Um sorriso aqui, outro lá. Um abano, um aperto de mão. Ternos e gravatas a desfilar. Carros a andar. A poluir. E o farol aberto que se fechará. Um momento de distração e, o Horizonte Onipresente a nos encarar: sem Ela.

Então nos atordoaremos, passaremos os dedos entre os cabelos. Nos desconfortaremos dentro de um terno caro. Cruzaremos a avenida correndo, fugindo... Empurraremos portas que deviam ser puxadas e puxaremos as que, de certo, deveriam ser empurradas.

Nos relembraremos que aquela não é nossa vida. Nos recordaremos da nuvem e dos olhos cegos por vontade.

Sim! A saudade irá bater. Irá doer. Nos relembraremos que Ela um dia esteve lá. Ao contrário da história que haviamos criado: de que Ela nunca existiu.

E parado, sem forças, olharemos para trás, e veremos o que não queriamos ver. O que evitávamos perceber.  Aquilo que fomos e negávamos. O que realmente somos, e, iremos, para sempre, ser - só que, agora, e, para sempre, sem Ela.


Publicado originalmente em 21 de junho de 2009

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Para Elizabeth, Que Esqueceu A Paixão.


E então, não mais apaixonou-se.
Pobre Elizabeth.

Não mais quis saber qual a sensação
da chama que queima em seu peito.
Nem sentir as incontrolaveis batidas
de seu acelerado coração.

A paixão, dizia Elizabeth,
era entorpecente droga da mente,
a droga que desligava a razão.

Preenchia os dias de um sol brilhante
e soprava em seu pescoço
a mais refrescante brisa da estação.

No entanto, bem sabia ela:
A paixão a deixaria nua no deserto,
quente e seco, caso não houvesse retribuição.

E assim, Elizabeth, não mais se aventurou.
Viveu a vida com cautela e solidão do ser
que está no mundo somente por estar,
sem viver loucuras de uma chuva de verão.

Sem mais ver os olhos, aqueles olhos
que iluminam a alma:

O delírio de uma e outra paixão.

Pobre Elizabeth, morreu em vão.





terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Precisa-se de um Economista, Por Favor.


Perguntar não ofende.

Há pouco estava assistindo o Jornal Nacional e o Bonner estava passando as informações diárias sobre a economia, uma das informações foi sobre o pagamento de juros da divida externa, algo em torno dos R$129 Bilhões. Poxa vida, mais da metade do país assiste esse telejornal especificamente e recebe informações como essa todos os dias. Mas afinal, que dívida exatamente é essa? Não era o Lula que se gabava de ter pago ela? Para quem exatamente devemos? O que é feito com todo esse dinheiro recebido pelo credor? Sei lá, tem dias que você cansa de ver a mesma coisa e fingir que entende. Alguém por favor me explica em detalhes?


domingo, 29 de janeiro de 2012

Sinta-se grato à Expresso Rio Guaíba. Ou não.

Domingo, um belo dia de sol, e decidi ir com minha mãe e prima passear de Catamarã até Porto Alegre. Na volta, desembarco na estação hidroviária de Guaíba e recebo um mini jornal que alguém me entregou. Abro o mini jornal e dou de cara com a matéria "Expresso Rio Guaíba Cresce com a Cidade". O que eu poderia dizer? É óbvio que cresce com a cidade, e não poderia ser diferente, afinal, é a única empresa de transporte metropolitano a explorar atuar na cidade.

A empresa Expresso Rio Guaíba completou cinquenta anos de existência em outubro passado e para comemorar divulgou no jornal que participa até hoje em eventos culturais e artísticos do município - o que, vamos combinar, é o mínimo - e ela ainda informa que além dessas participações cede alguns ônibus às escolas para transporte de alunos carentes em dias especiais.

Só quem tem contato com as escolas municipais e estaduais do município sabe como não é tão simples assim conseguir os tais ônibus para transportar alunos carentes em eventos da cidade ou fora dela.

Algo que me chamou muito a atenção foi a ênfase dada pelo slogan no jornal que dizia "Passamos 365 dias só pensando em você".  Um Slogan abusivo, uma vez que os moradores e usuários do sistema de transporte metropolitano da cidade tem que passar 365 dias pagando passagens caras, sendo esmagados dentro dos ônibus lotados da empresa para que consigam trabalhar ou estudar.

A empresa anuncia, feliz, que em 2011 investiu cerca de 9 milhões na aquisição de novos ônibus. Isso em um jornal entregue para os turistas que chegam à cidade nos catamarãs - que de transporte metropolitano seletivo é bem seletivo, com o valor de R$7,00 nos finais de semana.

"Investiu 9 milhões" mas de forma alguma resolveu o problema das superlotações nos horários de pico. "investiu 9 milhões" porque cobra caro cada passagem, uma vez que em média um trabalhador gasta mais de R$200,00 por mês só para ir para a Capital Gaúcha, sem contar o gasto de transporte público interno.

Basta fazer as contas. A empresa diz transportar mais de 900 mil passageiros por mês. Multipliquemos o número de passageiros pela média do valor da passagem, que gira em torno de R$4,50 e pasmem: são R$4.050.000,00 por mês de lucro, o que ao ano chega em torno de R$48.600.000,00.  E então, nós moradores da cidade temos que ficar felizes pelos nove milhões investidos, e pensar "puxa, quanta generosidade"?

Isso tudo é um insulto à minha inteligência. Por mais que a empresa pague impostos e seus funcionários, nove milhões investidos representam apenas 18% da renda bruta. Onde estão os outros 82% da renda? Eu não sabia que motoristas e cobradores ganhavam tão bem.

Para ter noção do absurdo, apenas imagine que você tenha uma pizzaria. O seu negócio é vender pizzas, mas você investe apenas 18% do que ganha na compra das pizzas. Então você vai à público e declara como se fosse um gesto de bondade ter investido em um ano inteiro 18% de toda a sua renda nas pizzas, que é o seu negócio, que é o que lhe dá sustento. E eu tenho que me sentir alegre por isso? tenho que crer que os 82% tenham sido investidos na mão de obra. Você gastou mais de 350% a mais com a mão de obra do que com o produto em si?

Ou você é burro demais. Ou esperto. Se souber que na cidade inteira só há apenas uma pizzaria: a sua.

Realmente é uma pena que vivamos em uma cidade onde o direito à livre concorrência não existe, onde a máfia do transporte público se instaurou e está no poder há cinquenta anos. Vivemos em um lugar onde parece ainda existir um sistema coronelista. A liberdade parece ser a maior das mentiras do captalismo.

É uma lástima que depois de tanto tempo, sejamos todos ainda escravos, trabalhando para pagar o direito de ir trabalhar, felizes com a mediocridade, sem imaginar que poderíamos ser e ter muito mais.




quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Simples, Insaciável.

Imagem de Hieronymus Bosch

Sou pano de prato
Ora sou o escritor
Sou o que dorme e não quer acordar

Posso ser fatos
Ou os fatos compor
Bem ou mal, sou o que puder falar

Vagando pelas ansiedades
Sou vagão à procura
De novas estações pela velha cidade

Começo muitas vezes
Poucas vezes as termino
Sou o menino que enjoa fácil do que experimenta

E assim me crio, como cria solta pelo mundo
À espera da experiência utópica e perfeita
Que em mim saciará a sede, algum dia. Talvez.


quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Abusos às Concessões

Não há dúvidas que as coisas ainda vão de mal à pior no Brasil. Odeio conformismos, mas fica a cada dia mais evidente que uma vez raça triste, raça triste até morrer - de preferência sem deixar descendentes.

Depois de onze edições de BBBs, sei lá quantas edições de Fazendas e tantos outros programas idiotas como Ratinho, Casos de Família e lá vai bosta abaixo... Esse ano, de um lado, temos o "Reality Show Mulheres Ricas" que literalmente caga na cabeça de noventa porcento da população Brasileira que divide metade da renda do País, enquanto os dez porcento restante a outra metade.

Já do outro lado, eis a décima segunda edição do BBB, sendo apresentada pela décima segunda vez por Pedro Bial, e dirigida pela décima segunda vez por José Bonifácio Brasil de Oliveira, mais conhecido por Boninho. Como se não bastasse o programa em si ser um estupro aos olhos e ouvidos dos telespectadores de bom senso, ainda existiu o azar de haver um caso de abuso, suposto estupro literal, dentro do programa.

A Rede Globo não comentara o assunto até segunda passada 16/01/2012. A polícia teve que ir até o Projac solicitar esclarecimentos sobre o vídeo exibido na TV onde supostamente o abuso aconteceu. A coisa ficou feia, muito feia mesmo. O participante, Daniel Echaniz, acusado do abuso foi retirado do programa. A vítima, Monique Amin, continuou no programa e em declarações que vazaram na internet, onde conversava com o diretor do programa, ela teria dito não se lembrar de ter tido relações sexuais com Daniel, por estar inconsciente.

Eis que o programa vai ao ar na segunda passada e Pedro Bial comenta que um dos participantes havia sido excluído por "comportamento inadequado". Eis que a Globo passou a correr o risco de ser processada e o programa cancelado. Então, sem meias explicações, na terça passada o programa inicia com a mensagem de Pedro Bial informando que a participante Monique prestou depoimento à Polícia onde teria afirmado que tudo que acontecera havia sido feito com seu consentimento, que estava consciente, e que não houvera abuso ou relações sexuais entre ela e Daniel. Ou seja, mesmo Monique aparecendo no vídeo completamente apagada, ela afirma estar consciente, e mesmo o programa reiterando que não houve estupro ou abuso por parte de Daniel, o participante foi expulso.

BBB simplesmente é o programa mais lucrativo da TV brasileira e não interessa se abusam de participantes em rede nacional ou não, a máfia está sempre pronta para agir em casos como estes e em poucos dias fazer com que ninguém mais lembre-se do ocorrido. Mas fato é, o que ocorreu foi grave, muito grave. Ainda que muitos pensem que tudo isso não passa de uma palhaçada para ganhar mais audiência, acreditem, é uma audiência que a Globo realmente não queria. E ainda que muitos não saibam, deixem-me explicar o seguinte: toda emissora de televisão ativa no País, para entrar em funcionamento teve que obter uma concessão do governo federal. Essa concessão é o direito de transmitir informação através da radiodifusão, significa que a comunicação no país é pública - de todos, e pelo menos assim deveria ser. 

Usar o espaço público para comunicar coisas de interesse público é a tarefa de quaisquer emissoras do país - ou pelo menos deveria ser -. Mas fato é, nenhuma emissora que tenha ganhado uma concessão pública transmite programações de interesse público em primeira instância. Isso significa que o primeiro interesse é o interesse privado, da empresa em si, o interesse de fazer audiência com o programa de interesse público de menor custo que possa ser produzido. 

Toda a nossa cadeia televisiva é um abuso de elevação incalculável. Quase cem porcento das concessões públicas do País foram cedidas para pessoas ligadas à política ou políticos em si. E as emissoras do País, que deveriam atender aos interesses públicos atendem aos interesses pessoais. E por que isso ocorre? Porque o povo brasileiro não se interessa em ser um Ser Político, não quer entender seus direitos, ou lutar pelos que deveriam ser adquiridos. É um povo que vende voto e não lembra em qual palhaço de TV votou nas eleições anteriores.

Para quem não sabe, a concessão de toda emissora deve ser renovada em torno de dez em dez anos. A renovação pode ser negada se comprovado ou denunciado o mau uso da licença. Um caso de abuso ou quase estupro em rede nacional poderia sim ser o motivo que levaria à cassação da concessão da Rede Globo. E acreditem, não faltam emissoras concorrentes sonhando com o dia em que a família Marinho não possa mais exibir seus folhetins.

Pessoalmente, BBB12 passou dos limites, assim como as outras emissoras vem passando com a exibição de programas religiosos cristãos, reality shows idiotas e programas apelativos como Datena. Não só as emissoras e suas programações passaram dos limites com seus abusos e estupros intelectuais, mas também a sociedade no geral que permitiu e permite isso. Se continuarmos assistindo e apoiando essa farsa escancarada, passaremos dos limites da falta de vergonha na cara, do desrespeito e da indiferença do que se fez e se tem feito das concessões públicas do nosso País.

Está nas nossas mãos fazer essa palhaçada acabar. Boicote o BBB12. Boicote qualquer programação abusiva e inútil, sendo da Globo ou de qualquer emissora. Quer assistir ao Jô, ao JN, a novela das nove, tudo bem. Mas não permita que um programa que permite abuso ir ao ar, continue indo ao ar. Não vote em paredão, não assista. Não curta reportagem na internet sobre BBB. Passe adiante essa idéia. Não porque é moda falar mal de BBB ou da Globo, mas porque o que aconteceu é grave, e você não deve continuar compactuando com isso, ou pode ser acusado de cúmplice do estupro - ou pelo menos deveria ser.

Quando prova-se que um veículo de comunicação está envolvido com sujeira, e ele não admite publicamente pedindo desculpas pelo erro, continua a querer esconder de seu público a verdade sobre os fatos, esse veículo de comunicação passa a não ter mais credibilidade com a sociedade - ou deveria não ter.

Ontem foi o caso de estupro de uma mulher por um dos filhos dos donos da RBS, depois o assassinato do jornalista que o denunciou na blogosfera. Hoje é o caso ridículo e mal explicado do BBB12... O público que apoiar um programa desses o merece. E merece o País corrupto que possui.

Para denunciar algum abuso cometido por alguma emissora, falta de ética por ela praticado, ou obter informações sobre o funcionamento de concessões da radiodifusão acesso o site http://www.eticanatv.org.br/

Para entender melhor sobre o seu direito de se comunicar e o descumprimento desse direito, assista ao vídeo que posto aqui abaixo.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tempo Lúdico


"A vida corre através de um tempo lúdico,
cheio de meias palavras, meio ditas, meio esquecidas,
corre como o vento entre corredores longos de edifícios escuros.

É a folha de plátano que cai lentamente,
seca, envelhecida pela experiência.

A vida é a poesia que fica, porque tudo o mais se vai.
Perde-se na luz do infinito.

A poesia é a única que fica,
o demais não importa, é coadjuvante e não protagonista.

O passar do tempo são os anos, que se vão, dizendo-nos
'vivam a poesia de viver e então vivam para sempre!'."


Aprender a poetizar é aprender a honrar a vida, dando tempo para as coisas da vida por ela mesma, as coisas naturais que já nascem conosco. Que reaprendamos com uma criança tudo aquilo que vendemos por papéis manchados em nosso passado, e aprendamos que com o passar da vida não haverá dinheiro que nos compre o tempo de sentir.


"O lúdico corre através da vida como se fosse a realidade,
mas a realidade corre acima de nossos olhos.

Talvez seja por isso que devamos erguer a cabeça,
olharmos aos céus, como filhos olham aos seus pais.

Percebamos, enfim, a complexidade e a grandiosidade de existir."


A vida é feita de escolhas, e muitas dessas escolhas nos fazem deixar coisas para trás para que possamos abraçar coisas pela frente. Não se trata de decidir o que é melhor, ou o que é novo ou velho, mas sim de saber que múltiplas experiências poéticas devem ser vividas, ainda que cada causa abraçada seja de um abraço diferente. A dor é inevitável, mas como dizem por aí, o sofrimento é opcional. Cuidemos de nossos verdadeiros amigos e familiares com todo afeto possível, pois estes permanecem em nossas vidas para trazer poesia à ela, e nós, poesia à vida deles. E sem poesia, não haveria um porquê, definitivamente.  

Ainda que seja triste despedir-se de mais um ano, com todas nossas perdas e vitórias, lembremo-nos que devemos dar espaço ao novo, e assim renascermos tendo a oportunidade de fazer diferente aquilo em que não conseguimos êxito, e aprimorarmos aquilo que em nós floresce trazendo vida à nossa caminhada. 


"O divino não nos põe em derrota para que aprendamos.
Nós é quem nos pomos.

E aprender, além de opcional, parece ser a melhor opção.

Nem todas as conquistas nos são dadas por mérito,
mas conquistas poéticas, estas sim,

advém unicamente de nossos esforços."


Feliz término de ano. Que as reflexões sejam as melhores e as mais profundas. Sentirei saudades de todos. Que possamos nos encontrar em um novo ano, que, assim como o sol, morre todos os dias para renascer brilhante, e sempre encantador.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pensamentos Noturnos II

A vida é um mix de ações e acontecimentos, previstos e imprevistos, que podem ou não fazer sentido aos nossos olhos. Nos iludimos se pensamos que podemos controlar as coisas. Por fim, descobrimos que nada que pareça ser controlado o é senão pela sua própria vontade de ser. Nada é eterno, e a vida como a conhecemos, - ou pensávamos conhecer - transforma-se, reciclando-se através de movimentos sutis, ainda que bruscos ao nosso ver.

Quem dirá o que pode acontecer em nossa existência nos próximos dez anos, dias, ou minutos?

Nossas vidas estão prestes a mudar para sempre e não nos é possível percerber. A vida passa em um segundo, e tudo, absolutamente tudo, trata-se de uma alucinação coletiva prestes a findar-se. Entretanto, seja com a morte, ou com o nascimento de uma criança, algo acima de nós sobrevive.

Se na perda encontramos a falta de motivos, no nascimento descobrimos um. Algo por se lutar. A forma de se imortalizar as experiências relevantes.

...Fato é: sinto-me em um filme de serial killer, onde ao mesmo tempo que nos perguntamos quando chegará a nossa vez, nos perguntamos o que devemos fazer antes que o jogo acabe.


"Passe as pistes para os que estão por vir, e quem sabe eles descubram uma forma real de libertação"


O Sol Nasce e Deita-se 365 vezes ao ano - e com ele muitas almas. É assim desde o início. E assim o será até que o Homem encontre a sua liberdade.


 "A diferença de um nascer-do-sol e um pôr-do-sol é, tão somente,
a direção a qual ele converge"


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pensamentos Noturnos I

Nada é capaz de me abalar tanto quanto a morte. Dizem que ela é a única coisa certa na vida, e que dela ninguém escapa. Bem... Dizem que ela é real, mas sigo pensando que não há nada mais surreal no mundo do que a morte.

Ela está ao nosso redor, mas é quando atinge nosso círculo íntimo de relacionamentos pessoais que realmente percebemos o quanto ela pode ser Real. E o surreal está exatamente nessa Realidade. E está na insistente idéia de que existe vida após a vida.

"Oras, porque morrer para continuar vivendo?" - isso não faz sentido pra mim. Se bem que... O que é que faz sentido nesse planeta lunático? Não sei.

...E quando nos perguntamos como podemos seguir em frente com a nossa vida depois de tantas perdas, percebo que se continua porque o tempo não pára. Não há outra escolha a não ser respirar pelos próximos segundos que o tempo nos dá. E como sempre digo: o tempo... O tempo não existe.


Por Robson Rogers

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Pensamentos no Ônibus I


Provavelmente sou o cara que mais possui projetos inacabados. Não sei até que ponto eles perdem o sentido para mim no meio do caminho, não sei até que ponto sou multifocal em demasia, ou acomodado mais que o aceitável... Até que ponto fico esperando demais certas idéias amadurecerem para virem à luz do universo concreto?

Fato é: estou cada dia mais cansado de mim, de meus entraves. Fica mais obvio e vergonhoso tomar conciência que sou Eu "A Pedra no Caminho". Não ando passando de um Filhinho da Mamãe. Talvez um guri de apartamento - se morasse em um, provavelmente seria a denominação adequada.

Mas devo reconhecer, esse ano consegui consertar algumas bagunças na minha vida. Voltei a trabalhar na minha área, a estudar na minha área... O que realmente anda me matando é que não sei realmente o que significa essa história de "minha área" -  cara! Que porra é essa?

É tudo tão amplo. Sou tão empolgado com tudo. Torna-se difícil submeter-me à escolha de algo em específico - céus! Preciso me focar.

Disse uma vez Jobs que se você sabe o que realmente quer da vida, não há motivos pra não ir atrás disso com todo o coração. Ele era um gênio e um crápula. Talvez falta-me ser gênio e crápula. Falta-me a maldita loucura. Sobra-me a desgraçada ética e exagerada tolerância. Sou alguém malditamente correto que infelizmente acreditou na moral ocidental cristã. Mas o pior é: falta-me saber o que realmente quero ser quando crescer - Fuck!

Preciso descobrir e começar logo a viver, antes que algum geek qualquer insira um botão em mim - só para me desligar.



sexta-feira, 7 de outubro de 2011

"Perdi Meu Astro do Rock"


No início dessa semana boa parte do mundo se deparou com a figura de Steve Jobs pela primeira vez, através da notícia de sua morte, e muitos provavelmente nem sequer sabiam quem era, ou apenas haviam ouvido falar de seu nome algumas vezes. Ontem à noite, 06 de outubro de 2011, foi ao ar no Jornal Nacional um bloco inteiro falando sobre quem foi esse cara e o que ele fez. Confesso que me surpreendi pela ênfase dada pela Globo ao seu nome - não que ele não fosse merecedor, mas pelo fato de o significado de sua morte estar em uma realidade distante da maioria de nós brasileiros.

Enquanto muitos que conheciam o seu trabalho e a sua empresa tiveram e tem a insistente idéia de classificá-lo como um elitista e empresário de uma empresa que como qualquer outra no mundo tem o objetivo de ganhar dinheiro através de seus produtos caros, eu o via de uma forma diferente: O homem de grandes idéias, que possibilitou não só grandes mudanças na forma como nos comunicamos ou consumimos informação, mas o homem que possibilitou a milhões de pessoa ao redor do mundo o ato de pensar diferente e mudar a realidade estabelecida através do status quo. Ele foi a prova viva disso - Que é possível sim enxergar formas diferentes de se estruturar o mundo, não apenas comunicacionalmente, mas em todos os sentidos da existência.

Com seu trabalho, Steve Jobs mostrou que embora o ser humano se adapte às formas prontas de pensar, essas formas podem ser rompidas, desafiando as pessoas a pensarem se o que realmente têm feito é o seu melhor e o melhor para o mundo. Enquanto a indústria tecnológica se acomodava a repetir tecnologias com aprimoramentos medíocres, Steve impulsionava o mercado de forma inventiva e desafiadora. Gerando e dando ao seu público uma possibilidade real de escolha de pensamento.

E eu poderia ficar aqui contando muitas histórias sobre como Steve Jobs enxergava as coisas e as fazia acontecer, ou citando suas frases de efeito que do clichê empreendedor passavam longe - afinal, quando ele dizia que algo seria revolucionário, não estava blefando ou fazendo campanha de marketing, mas apenas falando a verdade. - entretanto, gostaria de relatar minha experiência como usuário de suas idéias e o que elas provocaram em mim.

Quando tive meu primeiro contato com computadores Mac me perguntei: por que todos os computadores não são assim? -  Simples de usar, intuitivos, integrados, elegantes, funcionais. -  Foi então que percebi que aquele produto, elitista e caro como todos dizem, despertava em mim a consciência de que tudo ao nosso redor e inclusive nossos comportamentos poderiam ser de maneiras diferentes. - Você não precisa seguir uma linha de pensamento imposta se souber pensar na essência e na necessidade de se fazer coisas, se ter algo ou ser alguém. - O preço que paguei por meu primeiro Macintosh não foi apenas pela sua performance ou elegância. O preço pago fora por um ideal.

Sinto-me hoje um ser mais crítico em relação ao que existe ao meu redor. Procuro um caminho mais simples - não necessariamente mais fácil -. Meus valores sobre consumo mudaram, sou uma pessoa que consegue criar seus próprios conceitos sobre a vida sem ter medo de estar saindo da zona de conforto. Creio que a opinião alheia me interessa menos que a minha própria - porque cada um tem que encontrar a sua razão de ser e a razão de nenhum deve sufocar a de outrem. - Hoje sou ciente de que a maioria segue um modelo predefinido de vida e lógica.

Os ideais de Jobs não foram passados a sua empresa e produtos por questões meramente capitalistas. Jobs nunca deu mais valor ao dinheiro do que a seus ideais. Se sua empresa se tornou o que é hoje, é porque Steve aplicava seu modo de viver a vida em tudo o que tocava, tinha ciência que o que revolucionava não eram os produtos, mas seu modus vivendi. - Jobs era Budista, vegetariano e possuía a maior arma de todas para o sucesso, saber o que queria fazer e os caminhos para fazer.

E esse é o ensinamento de maior valor que me fora passado, não expresso em pensamento ou letras, mas posto em prática e concretizado. Se queremos ser alguém que fará a diferença, devemos respeitar a nossa essência, assumí-la e colocá-la em prática. E para isso é necessário a fé de um Steve Jobs, e a coragem de um Steve Jobs.  - Acreditar em si e no caminho que se quer construir é quase impossível quando o mundo inteiro lhe aponta outro já pronto e estabelecido, mas é possível e a prova foi dada.

"Obrigado por me fazer diferente, por me libertar, por me mostrar uma nova postura para se viver a vida e me relacionar com ela. Obrigado por ter sido um idealizador e modificar a história."


Por Rogers

Para Jobs,
onde quer que esteja.



sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Bella Notte

A noite era quente, e eu escutava os grilos lá fora na imensidão, espalhados pelo campo. Da janela via as estrelas cintilarem em uma dança harmoniosa de verão precoce. Não sei o que me deixava mais tranquilo, se as estrelas ou a luz do lampião que iluminava meu quarto - refletindo sua luz dourada e quente pelo assoalho de madeira, enquanto meu corpo calmamente pairava sobre peitoral da janela.

A Lua, não estava lá, pois era Negra. E por mais que meu coração quisesse acelerar-se, calmamente sabia que seu brilho em algum lugar havia de residir, a iluminar meus pensamentos, mesmo longe, em outra rua, ou outros bairros desse universo. 

Respirava profundamente imaginando como deveria estar bela e cheia. A velha lua cansada de suas labutas que queria apagar-se. E sabia que jamais deixaria que a escuridão se apossasse de sua beleza por mais de três dias. De pensar, sentia a ponta da lança cravar-me o peito, se algum dia a visse escurecer-se diante de meus olhos, por mais de algumas horas. Abria então a janela em todas as noites quentes, esperando vê-la brilhar sob os céus claros e imensos. E em troca sorrir radiantemente aos céus, na vontade que minha alegria pudesse intensificar a sua luz.

O luar era escuro e eu seguia debruçado sobre a janela, fazendo a mesma prece silenciosa às estrelas. Pedia-lhes que compartilhassem seus brilhos com a Lua Negra, até que esta se enchesse novamente. Seu brilho alegraria meu coração e ela se encheria ainda mais com meu sorriso, sussurrando aquele doce "Boa Noite" sereno que saia de meus lábios - ganhando altitude com os ventos da campina, até chegarem à imensidão e beijarem-lhe a face.

Sempre antes de deitar-me, cantarolava então em oração de agradecimento...


"Olhos fechados pra te encontrar
Não estou ao seu lado mas posso sonhar 
Aonde quer que eu vá, levo você no olhar
Longe daqui, longe de tudo
Meus sonhos vão te buscar..."




"Boa Noite, amor... Estou abraçando você agora"

Trecho de música "Aonde Quer Que Eu Vá"


quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Companhia Elétrica


Hoje você acordou as dez horas da manhã e tomou o seu café - o que é modo de falar, afinal, pouca gente hoje em dia sabe o que realmente significa esse ritual de sentar-se à mesa com diversas opções para uma primeira refeição balanceada e saudável. E pode haver até três motivos para que isso aconteça.

O primeiro deles é o fato de que um bom café da manhã custa caro. Estamos falando de uma mesa que contém tudo o que os melhores nutricionistas que já estiveram no Globo Reporter te indicam consumir para que se tenha uma vida saudável. Isso inclui frutas, cereais, sucos, etc.

O segundo motivo, para que essa cerimônia não ocorra, é justamente o tempo que se leva para arrumar uma mesa dessa magnetude - supondo que você não tenha uma empregada doméstica, é claro. - É o tempo para preparar, pôr à mesa, consumir e arrumar a bagunça toda. Tempo que você não tem!

O terceiro motivo é que, por essa falta de tempo, você se acostuma a tomar somente aquele copo básico de leite com Nescau. Você se acostuma a não querer comer muito pela manhã. Acaba que muita gente nem ao menos isso ingere.

Mas o que fazemos depois disso que não fazemos?

Quem tem que trabalhar, vai trabalhar; quem tem que estudar, vai estudar; e quem não tem que fazer nada, é provável que ainda esteja na cama dormindo. Afinal, qual o louco que acorda cedo só para tomar um copo de leite? - Fala sério.

Mas digamos que você seja um desses doidos por copo de leite com Nescau. Depois de se deliciar o que vai fazer? Provavelmente ligar o computador, e, mesmo que você não tenha nada para fazer nele, você vai ligar - acredite!

Algo que se repetirá na parte da tarde... Da noite... E, claro, na parte da madrugada. Mesmo que você não tenha o que fazer nele, você ai entrar e vai achar algo. - Já dizia o ditado "quem procura acha".

Mas, se de repente faltar luz? - o.O

"MEU DEUS! E agora???"

Caramba! Isso acontece e provavelmente quando acontece é sempre na hora que você precisava visitar seu Orkut, Facebook, Twitter, usar o email, instalar aquele jogo que demorou mais de dias para baixar via Torrent - que você pegou pirateado lá no Piratebay (aham, pensa que não sei?) - ou, simplesmente, fazer uma pesquisa - aquela que você usou como desculpa para ligar o computador, mas, por ser portador de mal de parkinson, clicou no ícone do MSN ao invés do Firefox - porque Explorer ninguém merece, né? 

E como resolve?

Não se resolve amigo!

Você senta no sofá e olha para a sala - isso se a falta de luz for durante o dia. - Levanta, vai até a cozinha, abre a geladeira, mas não encontra nada ali. E assim, como uma barata tonta, você percorre a casa em busca do que fazer. Até entrar no banheiro e acender a luz.

Mas que idiota. Não tem luz!

Daí você sai em busca de algo que nem sabe bem o que. Acha um livro que você ganhou da sua tia ou de algum parente - aquele mesmo que você começou a ler faz mais de um ano, mas que, por algum motivo, parou em um terço do coitado. - Você o abre e vai ler.

Cara, se você tiver um pouco de sorte a energia elétrica nao voltará tão cedo. Reze para que ela não volte. Não pelo menos até que você perceba o quanto a vida passa rápido quando você vive na eletricidade. Nas primeiras horas você vai sentir-se angustiado. Vai gritar palavrões pela casa. Mas calma, isso são apenas sintomas da abstinência elétrica.

É como você ser fumante e, do nada, todos os butecos do mundo resolvem fechar por causa do dia de um santo qualquer - aquele que sua tia e a vizinha são devotas. - Mas que bosta, hein? Bem quando você precisava relaxar com o seu cigarrinho...

Como eu falei, isso passa. Logo você vai perceber como é legal aquele silêncio. Como é bom estar com você mesmo. Logo vai encontrar outras coisas para ocupar o tempo. Coisas, talvez, até mesmo mais interessantes. Como tomar aquele café da tarde completo em família. Afinal, ninguém vai ter que sair correndo para assistir a novela das Seis, checar os recados no mural do Facebook, ou assistir o telejornal. 

É nessa hora que alguém fala com alguém... É nessa hora que as pessoas interagem de verdade. Tem-se tempo de sobra para saber como foi o trabalho do seu pai, como foi o dia do seu filho desocupado, o que sua mãe fez... Nessas horas as pessoas se obrigam a falar, e não há outra forma, há? Você pergunta até mesmo se a criatura já tomou a injeção contra febre amarela, e se ela está se protegendo da Gripe do Ganso Louco - ou algúm outro surto viral qualquer, mesmo que nem mesmo exista.

Até seu cachorro, que você não via há semanas, você se lembra de ir ver... - se ainda existe.

A falta de energia é ótima. Prova que o ser humano se adapta fácil às diversas situações. Prova que podemos sobreviver a essas catástrofes. Prova que a comunicação interpessoal convencional e a criatividade ainda existem. Mas claro, se a gente se esforçar.

Analise! Em tempos em que falam que as pessoas andam cada vez mais individualistas e egoístas, que companhias estamos elegendo? Não estaríamos cada vez mais buscando companhias irreais? Preenchendo nossos dias com coisas que apenas somos obrigados a preencher porque nós mesmos inventamos e levamos a sério? 

Ninguém tem falta de tempo para dar atenção a alguém porque tem que ler os emails, atualizar seu blog ou navegar na internet. Endereços de e-mails não se criaram sozinhos e nem mesmo os blogs surgiram com a criação do universo. Se coisas cada vez mais virtuais nos tiram o tempo tão precioso que nos parecia ser maior na infância, é porque estamos cada vez mais nos entupindo com deveres imaginários - e estúpidos. 

Superlotamos nossa agenda diária com questões virtuais, pois, a fuga da realidade, ainda é mais fácil do que vivê-la.

"Viva" a falta de luz, ou morra com ela...


Originalmente postada em 09/05/2009


terça-feira, 13 de setembro de 2011

Para onde caminham todas as flores?


Plátanos, por Robson Rogers






Bastaria ver como são feitas,
Olhando o amor intenso de suas composições.
Como são belas!

Presenciaria seus nascimentos,
Admirando a alma que há nelas por dentro.
Tão vivas.

Sentiria o aroma de suas passagens,
Pensando em seus caminhos...
Deveriam ser multicores.

Bastaria, deveria.

Saber para onde caminham todas as flores?

Mas não seria o bastante.

São secas como no outono,
O ciclo que despedaça suas belezas.
A contaminação da planta

Não as olharia mais,
Tampouco as desejaria.
São secas como no outono.

Não sentiria seus perfumes,
Não as poria na boca,
Não presentearia o amor.

São secas como no outono.




quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O Último Dia


O Universo impulsiona-o ao destino dos olhos, a beleza avistada ao longe, e então perde-se as asas da imaginação; o céu se alaranja, e um homem cai como a sombra de algúm pássaro que perdeu-se do bando.

Na selva, é aparado pela cachoeira de águas borbulhantes; água adocicada mais uma vez por seus ideais. A terra treme e as rochas desabam sobre o fluído da vida, sufocando-o, agora águas frias; um rastro de gelo forma-se e o Homem Pássaro congela-se.

As nuvens passam e o tempo, que voou, agora, mostram a espécie em extinção. Em algum lugar da terra, quinhentos anos depois, as crianças brincam na caverna, o lugar que houvera a cachoeira. O Pássaro Negro lá ainda encontra-se, sobre a mesma pedra, agora desfalecido, seco pelo pó que o enterrou em alguma era perdida.

As crianças, curiosas pelos mistérios da vida, com temor o tocam. Homem pássaro levanta-se sem as olhar nos olhos; com pressa sai voando pelo céu azul de outrora, sem nuvens, sem sombras; agora, um lindo pássaro azul sobrevoando os céus até amarelarem-se, rumo ao calor do sol, o sol que o engolirá, aceitando o que o a natureza daquela terra, há tempos, não soube aceitar...

...a liberdade do Pássaro que, tão somente, queria voar.



segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Oceano Amarelo


Borbulhenta água chá
Abre-se em pequenas ondas oscilatórias.
O corpo desnudo vagueia por entre aquele vasto líquido de lembranças.

A boca, ainda cheia de ar, prende-se
Na coragem de poder mergulhar profundamente.

Mãos que puxam para si as mais variadas memórias,
Pés que empurram para longe o presente.

Ruma-se ao passado em bela viagem gloriosa
De volta às nossas verdades, à nossa terra,

Ao lar, onde, nas profundezas desse oceano cor de mel,
Residem nosso eterno descanso emocional.

A viagem de ida para quem de lá não mais voltará.
Nadando, nadando...

Até perder o fôlego,
A consciência.

Para sempre dormir como a criança que,
Antes de desfalecer, escuta a tenra voz de seu velho pai,
Aquela velha estória de fazer ninar:

- Era uma vez...


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Quatro Partes: Sobre a Maturidade



Parte I
A referência

"Raros são aqueles que decidem após madura reflexão; os outros andam ao sabor das ondas e, longe de se conduzirem, deixam-se levar pelos primeiros" 
__________________________________


Parte II
A poesia

"Como a maçã vermelha sangue que encontra-se na árvore,
a maturidade é o resultado de lentos processos, que,
podem, ou não, ter sido dolorosos ao fruto da sabedoria.

São dias e noites longas ao vento, face a face o frio,
chuvas, calor e geadas...

Pois a maçã, antes de ser fruto, tivera que amadurecer
para a conquista da sabedoria de uma maçã
portadora de exuberante coloração e delicioso sabor."
__________________________________


Parte III
A citação

"Quando calejado, o homem nem sempre aprende a lidar com suas angústias e problemas; mas, aquele que um dia aprendeu a encontrar, senão a solução, mas os melhores caminhos, foi, mesmo que por um dia, calejado por seus percalços."
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Parte IV
O monólogo

Ninguém nasce pronto ou maduro, a maturidade deve ser conquistada através do autoconhecimento e de etapas que, algumas, repetiram-se ao longo da vida humana. Trata-se de reconhecermos os melhores caminhos em meio a caminhos estranhos, anteriormente avistados. Maturidade consiste em sabermos resolver as divergências sem agressividade ou destruição, mas através da transformação do nosso entendimento.

Maturidade é termos paciência, e as vezes abnegação; atendendo às necessidades alheias, tendo que para isso abrir mão de prazeres imediatos, vislumbrando a longo prazo seus efeitos negativos, contrabalanceando-os com os efeitos positivos do ato de abdicação.

Maturidade não é o dom de exercermos a liberdade por sabê-la como direito, mas sabermos quando dever-se-á exercê-la e quando não. Significa sermos humildes, construindo credibilidade ao cumprirmos acordos selados. Maturidade, antes de tudo, é saber lidar, aprendendo a viver em paz com o imutável.

São muitos de nós que nos dizemos maduros, capazes de lidar com as mais diversas verdades, mas é fato, que quando é chegada a hora, falhamos por não sabermos lidar com aquilo que em nós ainda não encontra-se em pleno equilíbrio e paz interior. Ao contrário do que acredita-se, a idade e o tempo não podem trazer maturidade àquilo que um dia deseja ser fruto, pois o fruto, como seu nome sugere, é o resultado de seu próprio amadurecimento. Não é o tempo que faz amadurecer, mas o fruto em si que se amadurece através do que aceita receber da árvore da vida, para lidar e tirar o melhor proveito. 

O tempo, em si, apenas é capaz de nos fornecer desafios e etapas a serem conquistadas, sendo nem mesmos estas, sozinhas, capazes de nos fazer maduros. Somos os únicos que o podemos fazer. Isso dá-se através da vontade de querer compreender e vencer esses processos e suas verdades, que nos são jogadas na cara.

E como diz Sêneca, "andar ao sabor das ondas", é o mesmo que andar ao sabor de nossos sentimentos e emoções. Estes servem para dizer-nos o quanto nos encontramos vivos e pulsantes, sendo sintomas oriundos de corpos externos; jamais servirão de base para a maturidade enquanto não escutarmos seus reais motivos de existirem, aceitando-os primeiramente, para então, ao sabê-los, podermos em algum momento encontrarmos seu melhor remédio e tratamento.

O processo de maturidade dá-se, de nenhuma outra forma, senão, pelo início da consciência de que é necessário querer essas descobertas, realizando a auto análise e análise das situações, prezando a resolução das mais diversas disposições em nossos caminhos.

Isso chama-se maturidade, e é imaturo julgar quem ainda não a possui em algum sentido da vida. Imaturo de nossa parte, por não sabermos fazer a análise de motivos alheios, ou se o fizermos, não os aceitarmos pelo fato de estes serem diferentes do que concebemos como nossas verdades.

Todos, sem exceção, somos imaturos em diversos sentidos da existência humana, e Todos somos maduros de alguma forma. Não reconhecermos ou julgarmos isso, além de imaturo é a prova de que nos encontramos distantes de compreendermos o real significado do amor incondicional a nós mesmos e ao próximo.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dois


Talvez opostos de um mesmo igual,
O olhar negro em que me perco indagando tais motivos.

Há um silêncio sofrido e enrustido no canto da boca:
A autodefesa que esconde do mundo suas verdades
E essências.

Haverá ainda em nossa trilha duas belezas complementares:
A busca de respostas no pretérito da ação humana
E a incessante busca pelas revelações observadas.

O elemento terra e o ar.

Formas mais próximas da perfeição
Por conter em seus cernes o grosteco e o sutil.

O mashup que revela, em seus microcosmos,
Ardentes e sedentos

O que, antes de juntar aos homens,
Não se pode explicar e deve ser saciado.

(a vontade de existir)




quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Olhos Cansados


A ardência que me incomoda no olhar é seca,
Gélida insensata sensação de não saber

O que nos leva adiante?

Amor?
Paixão?
Ódio?

Suspiro por sabê-lo inútil aos meus ouvidos
Um silêncio que me afaga, mas que desprezo.
Um rumbar de tambores que anunciam...

O que? Eu não sei.

O que vem a ser esse propósito de existir por existir?
De onde vem esse tempo infinito irreal que seca minha pele
E enruguece minhas mãos?

Quando aqui chegamos, abrimos os nossos olhos
Umedecidos pelas lágrimas do desconhecido.
E, quanto mais fomos observando, mais secos de olhos e coração
Nos pareceu sentir a razão.

Medo?
Decepção?

A tristeza e o cansaço de ainda ver e se perguntar: por quê?

Quando aqui, sobre os olhos minhas pálpebras caírem,
Aqui descansarão irremediavelmente, para todo o sempre, 
Levando consigo as histórias e visões de uma raça que não soube entender, 
Não soube encontrar nada além do que seu destino final: a morte.


terça-feira, 9 de agosto de 2011

Descrença poética?


Confesso que me parece não haver pessoas que não tenha conhecido
Lugares que não tenha andado, sentimentos que não tenha sentido.

Observo cada olhar na busca de uma incógnita que me faça afeiçoar,
Imaginando, quando a encontro, até que ponto,  seria lá uma verdade poética,
Ou uma mentira lúdica, a cintilar.

Afinal, a que lugares poderia ainda esta vida me levar, que eu já não tenha visto?
E quantas faces mais em confronto me colocaria?

Na cabeça, vivem as dúvidas e dissimulações de quem não quer mais ver:

Até que ponto podemos ser dignos de poetizar, dando significados terrenos ao divino,
Que um dia temo desmoronar, rasgando o fino pano vermelho, divisor da arte e de sua verdade.

Aplaudir? Já não dá mais.

O fato de cada vez mais exaustos, temermos o dia em que nada se encontrará.
E o medo de crer tornar-se-á, então, o maior de nossos pecados.

A arte da platéia, que não mais encanta-se com o show, por sabê-lo finito,
Esquecendo-se de vivê-lo para pensar no amanhã que, antes de incerto, é vislumbrado por nossos olhos doentes, construído por nossas mãos calejadas, e distribuído por nossas vozes fracas.


"Até onde somos responsáveis pela nossa realidade e ela por nós?"

Canso-me de tentar descobrir...


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