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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Novos Passos (Sem...)


Em certos momentos me relembro dela. Em outros, a esqueço. É como apagar da mente tudo que vivemos. Criar uma ilusão de que nunca existimos.

Quando algo morre, um novo ciclo se inicia em nossas vidas. Uma nova parte de nós morre para a outra renascer. Uma nuvem branca passa e cega. Os olhos vêem somente o que querem ver: a nova vida.

Não enxergam o que querem esconder: a falta Dela.

E, a passos rápidos, caminhamos em linha reta, evitando olhar para além do horizonte, por puro medo. "Melhor olhar pra baixo, para não tropeçar!". E quando percebermos, estaremos caminhando como novos homens. Homens decididos, em busca de um ideal, de uma moral.

Sorriremos para aqueles que passarem por nós. Acenaremos para os que caminham do outro lado da rua. Subiremos escadas e desceremos degraus. Empurraremos portas que devem ser empurradas. E puxaremos as que devem ser puxadas. Até que...

Um sorriso aqui, outro lá. Um abano, um aperto de mão. Ternos e gravatas a desfilar. Carros a andar. A poluir. E o farol aberto que se fechará. Um momento de distração e, o Horizonte Onipresente a nos encarar: sem Ela.

Então nos atordoaremos, passaremos os dedos entre os cabelos. Nos desconfortaremos dentro de um terno caro. Cruzaremos a avenida correndo, fugindo... Empurraremos portas que deviam ser puxadas e puxaremos as que, de certo, deveriam ser empurradas.

Nos relembraremos que aquela não é nossa vida. Nos recordaremos da nuvem e dos olhos cegos por vontade.

Sim! A saudade irá bater. Irá doer. Nos relembraremos que Ela um dia esteve lá. Ao contrário da história que haviamos criado: de que Ela nunca existiu.

E parado, sem forças, olharemos para trás, e veremos o que não queriamos ver. O que evitávamos perceber.  Aquilo que fomos e negávamos. O que realmente somos, e, iremos, para sempre, ser - só que, agora, e, para sempre, sem Ela.


Publicado originalmente em 21 de junho de 2009

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Tempo Lúdico


"A vida corre através de um tempo lúdico,
cheio de meias palavras, meio ditas, meio esquecidas,
corre como o vento entre corredores longos de edifícios escuros.

É a folha de plátano que cai lentamente,
seca, envelhecida pela experiência.

A vida é a poesia que fica, porque tudo o mais se vai.
Perde-se na luz do infinito.

A poesia é a única que fica,
o demais não importa, é coadjuvante e não protagonista.

O passar do tempo são os anos, que se vão, dizendo-nos
'vivam a poesia de viver e então vivam para sempre!'."


Aprender a poetizar é aprender a honrar a vida, dando tempo para as coisas da vida por ela mesma, as coisas naturais que já nascem conosco. Que reaprendamos com uma criança tudo aquilo que vendemos por papéis manchados em nosso passado, e aprendamos que com o passar da vida não haverá dinheiro que nos compre o tempo de sentir.


"O lúdico corre através da vida como se fosse a realidade,
mas a realidade corre acima de nossos olhos.

Talvez seja por isso que devamos erguer a cabeça,
olharmos aos céus, como filhos olham aos seus pais.

Percebamos, enfim, a complexidade e a grandiosidade de existir."


A vida é feita de escolhas, e muitas dessas escolhas nos fazem deixar coisas para trás para que possamos abraçar coisas pela frente. Não se trata de decidir o que é melhor, ou o que é novo ou velho, mas sim de saber que múltiplas experiências poéticas devem ser vividas, ainda que cada causa abraçada seja de um abraço diferente. A dor é inevitável, mas como dizem por aí, o sofrimento é opcional. Cuidemos de nossos verdadeiros amigos e familiares com todo afeto possível, pois estes permanecem em nossas vidas para trazer poesia à ela, e nós, poesia à vida deles. E sem poesia, não haveria um porquê, definitivamente.  

Ainda que seja triste despedir-se de mais um ano, com todas nossas perdas e vitórias, lembremo-nos que devemos dar espaço ao novo, e assim renascermos tendo a oportunidade de fazer diferente aquilo em que não conseguimos êxito, e aprimorarmos aquilo que em nós floresce trazendo vida à nossa caminhada. 


"O divino não nos põe em derrota para que aprendamos.
Nós é quem nos pomos.

E aprender, além de opcional, parece ser a melhor opção.

Nem todas as conquistas nos são dadas por mérito,
mas conquistas poéticas, estas sim,

advém unicamente de nossos esforços."


Feliz término de ano. Que as reflexões sejam as melhores e as mais profundas. Sentirei saudades de todos. Que possamos nos encontrar em um novo ano, que, assim como o sol, morre todos os dias para renascer brilhante, e sempre encantador.



terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pensamentos Noturnos II

A vida é um mix de ações e acontecimentos, previstos e imprevistos, que podem ou não fazer sentido aos nossos olhos. Nos iludimos se pensamos que podemos controlar as coisas. Por fim, descobrimos que nada que pareça ser controlado o é senão pela sua própria vontade de ser. Nada é eterno, e a vida como a conhecemos, - ou pensávamos conhecer - transforma-se, reciclando-se através de movimentos sutis, ainda que bruscos ao nosso ver.

Quem dirá o que pode acontecer em nossa existência nos próximos dez anos, dias, ou minutos?

Nossas vidas estão prestes a mudar para sempre e não nos é possível percerber. A vida passa em um segundo, e tudo, absolutamente tudo, trata-se de uma alucinação coletiva prestes a findar-se. Entretanto, seja com a morte, ou com o nascimento de uma criança, algo acima de nós sobrevive.

Se na perda encontramos a falta de motivos, no nascimento descobrimos um. Algo por se lutar. A forma de se imortalizar as experiências relevantes.

...Fato é: sinto-me em um filme de serial killer, onde ao mesmo tempo que nos perguntamos quando chegará a nossa vez, nos perguntamos o que devemos fazer antes que o jogo acabe.


"Passe as pistes para os que estão por vir, e quem sabe eles descubram uma forma real de libertação"


O Sol Nasce e Deita-se 365 vezes ao ano - e com ele muitas almas. É assim desde o início. E assim o será até que o Homem encontre a sua liberdade.


 "A diferença de um nascer-do-sol e um pôr-do-sol é, tão somente,
a direção a qual ele converge"


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pensamentos Noturnos I

Nada é capaz de me abalar tanto quanto a morte. Dizem que ela é a única coisa certa na vida, e que dela ninguém escapa. Bem... Dizem que ela é real, mas sigo pensando que não há nada mais surreal no mundo do que a morte.

Ela está ao nosso redor, mas é quando atinge nosso círculo íntimo de relacionamentos pessoais que realmente percebemos o quanto ela pode ser Real. E o surreal está exatamente nessa Realidade. E está na insistente idéia de que existe vida após a vida.

"Oras, porque morrer para continuar vivendo?" - isso não faz sentido pra mim. Se bem que... O que é que faz sentido nesse planeta lunático? Não sei.

...E quando nos perguntamos como podemos seguir em frente com a nossa vida depois de tantas perdas, percebo que se continua porque o tempo não pára. Não há outra escolha a não ser respirar pelos próximos segundos que o tempo nos dá. E como sempre digo: o tempo... O tempo não existe.


Por Robson Rogers

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Metamorfose I

Metamorfose de Narciso - Salvador Dalí

Ainda hoje costumo pensar naqueles dias, onde a coloração em sépia me aquecia de uma forma tão duradoura. Andei pensando até que ponto não sinto-me uma fraude perante os momentos marcantes que em mim redespertaram ainda há pouco.

Meu subconsciente sempre diz-me pra desconfiar de tamanha harmonia em meu ser. Sempre há um maremoto que nos remexe e sacode sem prévio aviso. Sem a menor piedade, destrói e bagunça toda aquela base "sólida" que pensávamos ser, desta vez, mais uma vez, resistente o suficiente para manter-nos em pé.

Por que há de haver tanta indecisão sobre quais caminhos tomar? Se perguntassem-me quando criança o que eu queria para minha vida, saberia eu, naquele tempo, responder sabiamente com facilidade. Hoje, no entanto, vejo-me a cada ano mais longe de meus ideais, e nem perto de saber para que ou onde devo seguir. Tão longe, talvez, que não mais saberia dizer quais foram os ideais que tive, ou os lugares que pensei que deveria estar.

É tudo muito maior, não saberia explicar a angústia que volta a assolar minha mente e espírito. São como algum reflexo de espelhos que minhas lembranças desconhecem, em meio a imagens em fast motions, seguidas de estranhos zumbidos.

Sinto-me nu. Exposto e desprotegido de minhas próximas ações descoordenadas. Um ser instável que borbulha freneticamente, passando de um estado aquoso e sereno a um líquido espesso, que de tão quente, queima ao tocar a pele.

Conheço-me e sei que sempre que isso ocorre, algo em mim morre, muda, e renasce. O problema não é o temor do que morre. O medo é do que muda e do que renasce. Temor de dormir e acordar, um dia, e não mais saber quem realmente sou. Ou pior. Não mais saber o que um dia realmente fui e sonhava em ser.


quinta-feira, 7 de abril de 2011

Sobre a Saudade


Quando percebe-se que as distâncias não existem, e que nada nos separa um dos outros...
Quando aprende-se a respeitar a si mesmo, respeita-se ao próximo...

Percebe-se que a saudade é insegurança, medo, desejo.
Passa-se a ver a vida infinitamente maior que todas as dores, que na nossa fantasia espiritualista se encontra o descanso.

A saudade existe, mas não dói mais. É uma lembrança feliz e nos faz agradecidos.
A oportunidade de ver no horizonte o outro lado do mundo. Um momento onde o infinito torna-se palpável e eterno.

Ah, a vida e a morte!

Separadas por um átomo. Unidas pelo desejo de existir e desvanecer.
A saudade não dói mais: Alegra, felicita o portador pela experiência.
Faz deitar-se em noites frias e tardes alaranjadas, com o olhar em outra dimensão, que transcende o espaço e o tempo.

A saudade passa ao adormecermos, nos acordando ao sentí-la.
A verdade é que apaixonar-se pela saudade é mais fácil do que vivenciarmos a presença do ausente.

A doce tentação perigosa para não mais morrer de saudades, mas viver de saudades.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

365 Dias Depois...


Hoje por algum motivo acordei irritado. Difícil de explicar, mas quando vai chegando o final de ano, aqui nesse mundinho de cultura ocidental, a gente vai fazendo um bando de reflexões sobre a nossa vida, sobre o ano, as pessoas que conhecemos, as pessoas que desapareceram. Não paramos de pensar nos grandes planos para o próximo ano e, ao mesmo tempo, vamos percebendo que lá se foram 365 dias em que não fizemos exatamente o que queríamos, ou que, por mais que tenhamos feito tudo que queríamos, ainda nos faltou algo que sequer sabemos bem o que foi.

Pois bem, acho que o que queríamos mesmo era estarmos nos sentindo completos, plenos. Falta uma parte de nós, ou muitas partes de nós. Na virada do dia 31 para o dia 1º estaremos felizes e tristes ao mesmo tempo. Felizes por sabermos que estamos tendo a oportunidade de um recomeço, e triste por sabermos que teremos que deixar muitas coisas para trás. Nos encontraremos nostálgicos pois nem todos os bons amigos e os bons parentes poderão estar próximos nesse momento. Há sim algo de muito mágico em tudo isso. Há uma energia de renovação e há também a compreensão que teremos mais uma batalha pela frente. Batalha essa que será contra nós mesmos e com o mundo lá fora. 

Seja como for essa entrada de ano, gostaria de dizer que aprendi que nem todos que estão próximos fisicamente estão tão próximos quanto os que distantes estão. Por esse motivo, dedico estas palavras especialmente aos meus amigos que pouco ou que nem chegaram a me ver, durante esses últimos 12 meses, presente em suas vidas de forma física.  Saibam que, mesmo assim, estiveram inegavelmente presentes na minha vida. Não citarei nomes, pois há aquele ditado "quem é de verdade, sabe quem é de verdade".

Espero que possamos nos ver mais e nos comunicarmos mais em 2011. Lembrem-se de pararem para refletir. É importante sabermos quem realmente carece e merece nosso precioso tempo.

Amigo não é aquele que está perto 24 horas, mas aquele que resiste ao tempo e a distância se caso for, sendo, em cada reencontro, sempre saudado com a energia e a amizade da última vez. Isso chama-se transcender ao banal, é estar em um estágio onde o perecível é inexistente e as nossas relações se concretizam eternamente no que chamamos de existência.

Um grande abraço a todos e qualquer coisa é só dar um grito. ;-)


quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre Quedas, Humildes e Afins.


As quedas nos ensinam a sermos humildes. Humildes são aqueles que sabem que não detêm o controle de suas vidas de forma plena.

Os humildes nos ensinam que para não haverem quedas deveríamos aprender a viver em comunhão, e a palavra chave para a comunhão é o equilíbrio.

O equilíbrio nos ensina que somente o equilíbrio traz o pleno controle da própria vida e a verdadeira independência - não dos outros, mas de nossas próprias quedas.

E, por fim, independência não é o poder de se fazer tudo o que se quer, e sozinho. É o poder de se poder fazer algo sem cair, pois não há queda quando existem pessoas para nos amparar durante a caminhada.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cores Negras


Sinto o peito apertado. A pressão diz algo que só eu sei. Toda dor tem um sentido de ser dor. É um aviso, o alerta de que há algo que não estamos nos dando conta, ou, simplesmente fingimos não ver.

Mas como não ver? E se não ver... como não sentir?

As vezes tenho vontade de fugir para algum lugar distante - distante de todos meus desejos, amores e temores - distante de minha vida e lembranças.

Pudesse eu explodir para ser livre.

Me desintegraria, doando, assim, o melhor de mim àqueles que fazem de mim o meu melhor.

Nostalgia dói quando não se aprendeu a lidar com a saudade.

Uma lágrima enche meus olhos deixando minha visão mais turva do que poderia ser. Enquanto escrevo estas linhas, meus ouvidos acompanham True colors, e me lembro de que não é só a música - a letra ou a intérprete - mas sim, um universo de conspirações que mostra a nossa mais pura essência.

"Se o mundo o deixar louco e você não souber o que fazer, me chame, pois você sabe que eu estarei lá"

Só peço que também se lembrem, que se eu não estiver, não fora por falta de vontade de estar.

Não sei se desejo permanecer sozinho, ou estar acompanhado. Nem mesmo sei se desejo estar.

As vezes imagino todas as pessoas de minha vida, passando como um raio de eletricidade. Imagino seus sorrisos - como é bom sentir seus risos, ouvir suas vozes - Fico imaginando o que fizeram enquanto eu estava ausente. O que eu perdi?! Sinto não poder compartilhar cada instante de suas vidas, suas respirações...

Um sofrimento que me faz querer desvanecer.

Ser o tempo... o ar... a terra, e o fogo.

Ser a essência de todas as coisas. Tornar-me pleno.
Ser a poesia e não somente o poema.

"Não, vocês não podem ler minha face"

Ah Poesia!

Faz-me vivo querendo sempre morrer para viver mais.
Faz-me morto quando ainda vivo...

Vontade de jamais escrever aqui.

Cada letra, cada palavra escrita, fazem lembrar que quando escrevo sou incompleto, sozinho, e distante.

Escrita bela, que me leva a crer que poético é escrever, e a poesia é essência, é viver.

E assim, a cada minuto, tenho mais certeza que vou em direção à lugar algum. Um rato sem saída, cujo mapa possui, mas não há olhos ver.

Talvez não importa o quanto eu escreva - fugindo de meu mundo, de meu personagem vago - jamais conseguirei esvaziar aquele ar preso sufocante. Deixar de sentir o peito esmagado, a boca seca, e a garganta entalada.

Minha alma continuará a tremer, e o que quer que aconteça comigo essa noite, não se preocupem. Mato-me para renascer, e renasço todos os dias.

Amanhã volto para vocês. Para minha vida de ensaios modestos.
Amanhã volto para mais um meio sorriso. Para meu olhar de censura, minha face de desinteresse, minhas palavras comedidas.

Hoje, apenas durmo para sonhar - e como já disse antes - Sonho, para poder viver.



quinta-feira, 3 de junho de 2010

Cartas a Quem Possa Interessar - III


Há dias em que sinto falta do cheiro da infância,
Do calor maternal,
De puxar o bigode do avô.

Dias em que sinto falta do pão quentinho saído do forno à lenha, naquelas manhãs frias.

É a falta do gosto do Nescau.
Do quentinho do edredon, misturado a frio do inverno.
Do velho chinelo de andar pela casa.
Da paz de espírito de uma criança.

Ah! Quem dera ter oito, e um futuro brilhante pela frente.
Uma mãe e um pai, e, quem sabe, avós para sempre?!

Sinto falta mesmo é da liberdade de se poder ser somente eu e nada mais...

Do tempo de se ter tempo,
E da vida de não se sentir faltas...


terça-feira, 1 de junho de 2010

Cartas a Quem Possa Interessar - I



E se nada pudesse ser como antes? O que seria?
Tempo? Espaço vazio?

Um passageiro à espera de um ônibus que nunca passaria?

Como retornar para o vazio do que nunca existiu?
E se voltar... Por que voltar?

E seguir por que estradas quando jamais se estivera em uma?

Andarilhos do espaço ausente.

Aquele que passou sem jamais ter passado.
Sem ter sido visto ou notado.

Mas cujos feitos comtemplamos até hoje.

Ah! Seria triste... Pela falta do inevitável.

Os desconhecidos acontecimentos da vida.

Aqueles que foram - e não foram - e ficaram para sempre sem jamais terem chegado.

Quem dera pudesse ser assim todos os dias, todas as noites.

Escolher sempre,
sempre igual.


quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dimensões do Tempo


A compreensão que falta busquem no hoje e não no amanhã...

...Porque o hoje é nossa única certeza.

Único caminho a se seguir.

E enquanto fantasmas tentam lhes assombrar, lembrem-os a que vieram...

...Lembrem-os do amor que tiveram, que tem e que sempre terão.

Esqueçam-se das noites de impiedade, que já os torturam a razão.

O que conhecemos por vida é apenas um resquício de tempo no universo.

Um universo infinito de palavras, pessoas, vivências, amores... temores.

Cheio de Vidas.

Fragmentos de existências escondidas.

No hoje que lhes parece brando, e adoça...

...Ou no amanhã, que cobra, conjunto ao passado que tortura.

E, acreditem, tratam-se apenas de alucinações.

Pois só se conhece o presente, escuta-se sobre um passado, e jamais se vê o futuro além da nossa própria imaginação.


...Somos somente nós.
A música que escutamos.
Uma vida que vivemos.

O lugar em que se está...

E nossas imaginações...

...vislumbrando algo que encontra-se em uma quarta dimensão.

Pois no fundo, talvez, não se trate de buscar por compreensões...

...Mas de vivê-las.

Talvez não como uma escolha, mas como um destino natural.

Mais cedo ou mais tarde, sem que sobrevivam as excessões...

(porque essas não existem a não ser em nosso vão conhecimento).

E se nascemos para vivenciar as diferentes compreensões...

...morremos para eternizá-las.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Uns dos Pontos da Questão


Algo em mim se lambusa de algo que quer ser lambusado. Uma sede pós calmaria. Sede de mudança. Um instinto que convida a todos a percorrer caminhos indecifráveis. Seriam as cores do teu olhar? Ou o medo que nos atinge na hora de dormir e vagar?

Palavras que se completam em minutos. Seria tão compreensível assim nossos olhares cruzados ou nossas mãos idênticas entrelaçadas?

Pontos de interrogação aqui e ali; flutuantes e usufruintes de sua própria levesa artificial. Pontos pesam mais do que se imagina; meus caros! Pontos pesam! Mas se pesam; porque somente os "nossos" é que flutuam?

Uma mão estendida é uma mão que se abre à possibilidades inúmeras. Uma mão que se fecha é uma mão que segura aquilo que não a pertence. Pois uma vez a própria mão não pertencendo a si própria; o que a poderia pertencer?

Pontos; pontos; pontos! E eu me pergunto: onde andarão as vírgulas? Seriam elas mais flexiveis e gentis que os pontos?

Aquilo que respiro me é suficiente para garantir o desejo irrefutável de renovação física; mental e espiritual; pelo qual meu corpo e alma carecem.

E por favor; não temamos o desconhecido; pois nada se perde em sua longa estrada semiobscura. É como a lei da física: Tudo se trasnforma.

E eu acrescentaria: Se transforma para que haja sempre uma forma de se auto eternizar.

"A Life Lived in Fear is a Life Half Lived"


terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Resposta referente à postagem:

Sobre um passado, o Presente e Algum Futuro;



"E A vida é isso, é falta de definição"

Para uns amor e ódio andam juntos, para outros odio não é o contrário de amor.

Há quem diga que o amor não existe. Há quem diga que existe e é para sempre.

Cada um cria suas definições e se condiciona às próprias regras que escolhe acreditar.

Hoje creio que sim, "Love is in the Air"! Hoje acredito que amar ultrapassa barreiras de crenças, gostos, afinidades. Que não se deixa vencer pela distância e que nem a pitada de ódio ou rancor é capaz de constatar a ausência de um afeto carinhoso.

Uns chegam, outros se vão. Uns sempre estiveram ali e só foram percebidos agora.

Quem sabe sejamos seletivos demais para amar à todos, mas, graças a Deus, cientes de que amaremos sem esforços aqueles que nos cativam facilmente nas idas e vindas do di-a-dia.

E sei lá... pelo tempo que tiver que ser.


segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

O Compreensível Desestado das Coisas


Complicado quando as fases mudam e nossas vidas seguem rumos inesperados. Somem, então, os personagens principais de uma história para que se criem outros, vindos de outros povos e nações.

Intrigam-se aqueles que se afetam com as mudanças. "O motivo pelo qual vivias era o motivo pelo qual me fazias viver". Mentirinhas coloridas como balas alucinógenas e pinceladas com a dureza fria da tinta das verdades...

(Felicidade como um estado temporal daqueles que ainda possuiam sentidos. E me pergunto: haveria alguém já visto alguma vez a felicidade de uma árvore?)

...E as pinceladas se tornavam cada vez mais sobrepostas ao colorido natural e fantasioso de um pobre bobo da corte. Se choravas era emocional. Se compreendias, ou o deixavas de fazer, eras demasiadamente racional.

Quebrou-se, então, o pincél e rasgou-se a tela ao meio. Comprou-se novos! Cada qual dentro de suas possibilidades de ser. Jamais se esqueceram de suas mais belas artes perdidas. Do tempo que as pincelaram. Do tempo que as foi empregado. E do tempo que fizeram parte de um mesmo tempo.

E, assim, intrigaram-se aqueles que deixaram de se afetar pelo tempo, e as razões pelas quais, um dia, foram motivo de luz.

Complicado! Complicado quando as faces mudam e tornam-se ocultas. Mas compreensíveis! Compreensíveis os seus motivos de serem. A vida que segue rumos sempre rumará por caminhos diferentes. Pois, se, não os fossem, deixariam de ser rumos para tornarem-se, tão somente, estagnação.

E o bobo falou!

"Mostra-te ao mundo como és e te chamarão de louco. Esconde-te de ti mesmo e enlouquecerás"

Texto por: Robson Rogers
Pintura por: Iman Maleki

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Quando sentir, apenas, não basta...


Já não tenho mais o que escrever, embora tivesse muito o que falar.

Sabe quando você sabe o que está acontecendo? Sabe que sentem exatamente como você, mas, mesmo assim, sabe que o melhor é não mostrar o que se sabe? Porque, as vezes, tapar o sol com a peneira é a melhor solução. Inútil, mas, mesmo assim, a melhor que se tem disponível.

Sabe aquele momento em que você se dá conta que falar não é o bastante e, amar, tão pouco pode bastar? É o momento em que você percebe que não importa o que se sente, a coisa certa a fazer será sempre muito mais importante.

"Noites difíceis essas, que me rejeito em meus próprios sonhos. Já não fora o suficiente rejeitar-me em lucidez?"

E quando algo fala que o importante é falar,
algo grita mais alto e diz:

O melhor, mas não o correto, é calar...




sábado, 31 de outubro de 2009

Dias do Ventilador


Sem os sons dos tambores, mas, apenas, os grilos lá fora. A luz acesa, a janela aberta e o monótono som similar ao congelamento do tempo. Elementos simples e essenciais. Constituintes da estranha sensação da apatia. Como se tudo fosse inevitável e, ao mesmo tempo, indiferente ao corpo e à rotina da alma.

Somente o calor, inclausurado dentro da carne, evidenciando o abafamento da razão contínua... Esmaecendo, pouco a pouco, a inteligência vaga, e, enaltecendo os mais puros sentidos do etéreo. A vida que corre entre minhas veias burbulhando ao som do calor. Aquela temperatura mágica e distante... Entorpecente.

Lá fora, o amanhã - que não chegará cedo - desperta o desejo de acelerar os ponteiros do relógio que, interminantemente, faz o conhecido tic-tac pra cá, tic-tac pra lá. A mesma de sempre, e vaga melodia melancólica, dos que aguardam, e, nada mais esperam. Sentidos contraditórios e ambulantes como seus senhores.

Sente-se, então, o silêncio imperial da noite sobre os jovens sonhadores. O rubor de suas faces suadas e exauridas. Escuta-se, por fim, - além daquela canção dos grilos - os batimentos cardíacos e, a também, de sempre, pulsante corrente sanguínia - vermelha e vívida! - A mesma que pulsa, pulsa, e pára, no mais absoluto suspense.

Ah, se não conhecêssemos bem essas noites! Em que o mais importante se desfaz com o simples ato de deitar-se de bruços. Onde é tudo tão minúsculo diante de nossos universos. Tão perecível! E nós, pequenos Deuses astrais, perdidos naquela hora em que o tempo dilata-se até parar de passar. Onde o amanhã torna-se mais distante do que a próxima estação...

Aqueles dias de verão!
Dias do ventilador e do lençol.
Da janela aberta para infância.
Do mais absoluto silêncio.
E das canções sussurradas, pouco a pouco, engasgadas...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Des-abafo.


Estou perdido nas teorias que hoje não sei explicar.
Conturbado nas identidades que não sei identificar. Abro a boca para pensar e de lá não sai nada além do que o ar, preso em minha alma. Tento achar dentro de baús antigos uma roupagem que já me fora útil. Buscando em cadernos velhos anotações que me revelem o "quem sou eu".

Esquecido.

Socializo, procurando pistas que levem a me encontrar.

Pra onde foram meus pensamentos?

Que droga!

Na mente, falha, alucinações surgem enquanto vou desesperadamente buscando por origens. Esforçando os olhos míopes a ver o que fisicamente estão incapacitados.

Foi tudo sugado!

Estaria eu desaparecido de mim?

Confesso que

já não tenho nada a confessar. Nem mesmo meus maiores crimes consigo recordar. Estou enterrado. Escondido de mim mesmo. Mente, corpo e alma desorientados, seguindo direções - não opostas, mas sim, diversificadas.

Fases paralelas mal administradas pelo tempo.

Acabou a sintonia!

Sabia?!

Sim. Serei bem menos escritor esta noite, do que de costume, costumo ser. Já não posso nem mesmo usar de meus artefatos, pois, estes, estão desaparecidos. Usarei então de minhas possibilidades: Aquilo que quero dizer, e, os dedos - já que a boca, esta, também me fugiu...

Fugiu com a língua.

Salafrários ordinários. Eu bem que suspeitava que andavam juntos!

(Bom...) Mas que vivam felizes, em outros corpos, a falar e falar e falar... e... e outras coisas mais, além de falar!

Se pelo menos meus ouvidos não tivessem me deixado. Escutaria cada som das palavras mais diversas. Quem sabe escutaria até mesmo minha própria voz, perdida em outras gargantas.

Ah! Se fosse fácil...

Desmembrado, seguindo e tentando consertar a bagunça que os pensamentos causaram. Teorias múltiplas que os anos modificaram,

unindo e desunindo,
a seu bel prazer.

pondo em xeque meu hoje,

meu ontem
e meu amanhã.

E no que sobra de sobriedade e lucidez em mim - eu? -, nada mais faz sentido.

Tudo muda. Se inverte.

É certo

É cego

É errado.

É banalmente genial.

E, pelo amor de Deus - eu imploro - , que seja infinitamente desnecessário compreender uma miligrama a mais do que já me é conturbador.

O des-abafo!






segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Proteína de Soja Texturizada


"É como um humano que vive apenas de tofu. Você se sente forte, mas nunca fica completamente satisfeito"

Que linguagem é essa que usamos querido Poeta, que nos leva a cantar nossos temores embaixo de árvores digitais de sem pudores e vaidosos corações?

Acordados somos, e inteiramente talhados estamos ao expor nossos semi desejos carnais, completos pelo espírito ambíguo que possuímos.

Faces de donzelas ocultas e sóis mortos pelo tempo vamos deixando para trás, ainda que insistamos em carregar seus espectros por onde quer que andemos.

Que linguagem é essa amigo Poeta, que queremos encontrar em nós? Palavras engarrafadas sutilmente lançadas entre o Coma e a Rara aparição de nossas belezas.

Vidas frágeis fortalecidas pelo tempo. Forças contrabandeadas através do "Através" e do Baile de Máscaras que dançamos.

Serão os "Novos Passos" sem os que nos seguiam? Será, amigo ocultor? Que onde andamos encontramos os nutrientes que fazem crescer nossa linguagem?

Amarga e doce. Suave. Perspicaz. Alucinógena. Individual. Barata. E entre outras mil formas mais... Uma linguagem destinada ao incompleto.

Culpa das Palavras!

Que formas mais acharemos de nos expressar?... Enquanto vou escrevendo queria apenas lembrar do quanto sou inspirado pela tua contribuição de Poeta.

Nem mesmo em nossas maiores viagens conseguiria expor de forma única minha gratidão repentina. Alvo de julgamentos perigosos. Aqui vamos nós buscando novas formas de nos delatar:

Eu na sem-vergonhice deturpada, mal julgada
E Tu, nas palavras encantadas e mais "idens" mais.

Palavras que alimentam, mas não nos satisfazem.



quinta-feira, 10 de setembro de 2009

As Palavras Secretas de Adrian e Adan


Adrian vos convidam a ler suas palavras como Adan as leria: assassinando intencionalmente vosso português, com suas palavras graciosas, cheias de contextos mal explicados. Muitas até mesmo dissimuladas. Fantasiosas. Gírias comuns e incomuns.

Pensamentos preparados, disfarçados de leve coincidência pensada. Casos mal resolvidos?...Porque não!?

Não levem vossos pensamentos a tão distante percurso. Antes disso já vos eram bem difíceis as distinções de intenções de minha parte.

As palavras são como as águas. São criadas para seguirem o curso que o seu Deus as dá. Mas, infelizmente, são inocentemente desviadas pelas mãos do Homem. São maleáveis, levianas. Simpáticas ao que os ouvidos querem ouvir. Antipáticas à razão.

Adan convida Adrian à escutá-las em diante. Bastando escutar apenas uma, e as vossas percepções se alterarem drasticamente. Cuidado com as interpretações! ...Elas tem o poder de vos fazerem navegar em mares conhecidos e vos naufragar em oceanos distantes.

"Use o bom senso Adan, querido! ...Adrian não quer usá-lo!"

Leiam tudo atentamente, não percam-se no caos. E cuidem para que vossos olhos não enxerguem mais do que as palavras querem dizer. Uma ambiguidade traiçoeira sempre põe tudo a perder. Mas, cuide também para que vossos corações não escutem menos do que vos é dedicado.

Ainda é noite e sigo ardente de febre confessional. Um morto semi vivo que teme a má compreensão de seus fiéis.

Pois tratem de tirar caraminholas de vossas mentes perturbadas e façamos um tratado: Tudo que de mim não se transforme em flores, de mim será como se não houvesse sido.

"Adrian! Adan quer falar!"

Se, as lagartas, que cultivo como se de minhas entranhas fossem, transformarem-se em monstros ao final, não poderei negar a criação. Mas sim, morro a negar, ali, tal intenção.

E, pois que fique às claras, como as gemas o fazem. Não ousem pensarem em mim como um velho rei adepto ao tabuleiro. Não vos nego ser jogador. Mas tudo com o que jogo são as palavras!

Tenham crença na certeza que vos digo: estou aos farrapos em demasia para querer brincar de adestrador.

Adrian e Adan vos convidam a apreciar minhas convicções, mas não pisem, jamais, em um velho sofredor. Que antes morram na incompreensão, do que atirarem pedras proeminentes de vossas mãos.



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